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O alongamento do ciclo da soja e os riscos para o milho safrinha

Desde o início, a safra 2020/2021 tem sido desafiadora no Brasil. Na época de plantio da soja, a baixa precipitação atrasou a semeadura da oleaginosa, consequentemente, a colheita teve início mais tardiamente, o que pode refletir no rendimento potencial do milho safrinha, uma vez que a janela ideal de plantio do milho para a segunda safra (ou safra de inverno) será menor.

Se o milho safrinha for semeado fora da janela ideal, ele ficará mais exposto a menos chuva já que a estação das águas no Brasil termina em março. Com isso, mesmo que haja chuvas regulares (dentro da média histórica) nos meses seguintes, pode não ser suficiente para garantir um bom rendimento do milho.

As safras semeadas após o final de fevereiro estarão mais suscetíveis à seca. Além disso, também estarão expostos a dias mais curtos (menos radiação solar) e mais possibilidades de geadas no final do ciclo, o que pode prejudicar as lavouras e reduzir a produtividade.

Portanto, o atraso no ciclo da soja vai expor o milho safrinha a diversos riscos que podem diminuir o potencial produtivo.

De acordo com a Conab, até o dia 5/2, cerca de 3,6% da área total de soja havia sido colhida, cerca de catorze pontos percentuais abaixo na comparação anual. Em Mato Grosso, a colheita atingira 8,9% da área estadual, contra 50,0% em relação ao mesmo período de 2020.

Em Mato Grosso, a precipitação acumulada no fim de 2020, período de plantio da soja 2020/2021, foi a menor desde pelo menos 1991, considerando início em 1 de setembro e final 1 de dezembro (época de plantio).

Figura 1. Precipitação acumulada de 1 de setembro a 1 de dezembro em Mato Grosso (fonte: Geosys; Agriquest).

O atraso no plantio é visível na análise do índice de vegetação, onde claramente há um alongamento do ciclo.

Figura 2. Evolução do índice de vegetação em Mato Grosso de 1 de setembro a 31 de março (fonte: Geosys; Agriquest).

O alongamento do ciclo é positivo para as lavouras de soja, porém evidencia um atraso no ciclo e, consequentemente, a janela ideal para a semeadura do milho safrinha será menor, o que pode impactar negativamente no rendimento potencial do milho.

O plantio do milho safrinha, até 5/2, atingira 9,0% (Conab). Na mesma época do ano anterior a semeadura tinha atingido 43,9%.

Na temporada 2010/2011, também foi registrado atraso no plantio, porém, devido a baixa precipitação no início do plantio, em setembro (as chuvas se normalizaram em novembro) e ao excesso de chuvas em janeiro.

Figura 3. Precipitação acumulada em Mato Grosso de 1 de setembro a 1 de dezembro em 2020 e 2010 (esquerda) e em janeiro de 2021 e 2011 (direita) (fonte: Geosys; Agriquest).

Na temporada 2010/2011, a produtividade foi de -17% em relação a tendência.

Esse cenário (de alongamento do ciclo, atraso da colheita da soja e menor janela para plantio do milho safrinha) também é observado em outros estados, como no Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul.

Portanto, o ciclo da soja ainda não terminou, mas já traz muitas dúvidas em relação à produção do milho safrinha no Brasil.

Com a semeadura realizada fora da janela ideal, o milho safrinha estará exposto a menos chuvas, dias mais curtos e possivelmente geadas (principalmente no sul do país), fatores que podem limitar o potencial produtivo. Para monitorar.

Para saber mais sobre as condições climáticas e estimativas de produção agrícola no Brasil e em outros países do mundo, entre em contato conosco e tenha acesso às informações com qualidade e antecedência.

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