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Brasil: 46,7% das áreas de milho safrinha foram semeadas em março

Lavouras analisadas em seis estados foram plantadas em solo com umidade abaixo da média, o que pode resultar em queda de produtividade.

Fizemos uma análise de diversas áreas distribuídas em seis estados produtores de milho (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Paraná) no final de março, com objetivo de verificar a situação das lavouras de segunda safra e antecipar possíveis complicações. 

Por meio da análise dos dados, verificou-se que, em 73,2% das áreas o plantio do milho foi realizado com a umidade do solo abaixo da média, com destaque para o Paraná, onde em quase 80% das áreas analisadas, a umidade do solo estava abaixo da média no plantio. O levantamento mostra que a semeadura em 46,7% das áreas nos seis estados ocorreu em março. 

Das áreas analisadas em Mato Grosso, 43,5% foram semeadas em março, ou seja, fora da janela ideal de plantio. Em Goiás e em Mato Grosso do Sul, 31,1% e 68,4% foram semeadas em março, respectivamente. 

Até o fim de março, a emergência do milho foi identificada em apenas 56,1% da área semeada. 

Em Mato Grosso do Sul, em 65% das áreas analisadas, a emergência não havia sido detectada até o fim de março, indicando que nessas áreas o plantio pode ter sido realizado na segunda quinzena do mês. 

Na média de todas as áreas analisadas (nos seis estados), em 43,9% a emergência não havia sido detectada até o fim do último mês. 

Com o plantio tardio do milho na safra 2020/2021, as lavouras estarão mais expostas às condições climáticas menos favoráveis, como menor radiação solar, menor precipitação e maior possibilidade de geadas. 

Vale ressaltar que a germinação e emergência do milho pode atrasar caso a temperatura e a umidade do solo sejam baixas e, para abril, a previsão é de que ambos os indicadores continuem abaixo da média pelo menos até meados da segunda quinzena do mês (figura1). Apenas em Mato Grosso do Sul e Oeste do Paraná, as temperaturas devem ficar acima da média, porém a umidade do solo deve permanecer em baixo patamar, segundo o analista da Geosys, Felippe Reis. 

Figura 1. Previsão de precipitação acumulada (em %), temperatura média (em °C) e umidade do solo média (em %). 

Fonte: Geosys – Agriquest tool. 

Porém, o modelo de previsão climática americano (GFS) difere do modelo europeu (ECMWF) e aponta boas chuvas para parte da zona do milho safrinha, como em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná. Para monitorar! 

A baixa precipitação é um sinal de alerta que deve ser monitorado de perto nas próximas semanas. Caso o cenário atual se estenda (de seca e baixa umidade do solo), os rendimentos das lavouras podem ser afetados. 

Atualmente, a Geosys estima uma produção de 79,87 milhões de toneladas para o milho na safra de inverno, cerca de 5,4% abaixo do estimado pela Conab. 

Com as condições climáticas desfavoráveis, a estimativa é de que a produtividade fique abaixo da tendência em todos os estados produtores avaliados (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Paraná). 

Lembrando que o ciclo está apenas no começo, sendo assim, as estimativas podem ter alterações. 

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